
A maldita academia. Aqueles lugares detestados pelos jovens modernos ícones condutores da história da arte do século XX são o objecto deste blog. O que pretendo é ir mostrando, como num pequeno museu virtual alguns exemplos da esquecida poética de tons burgueses característica da segunda metade do século XIX e primeira do século XX. É exactamente a época da ascensão da arte moderna (não menos burguesa) a partir de Courbet ou Manet até à abstracção. Históricamente corresponde-se também este período ao apogeu do colonialismo e do triunfo da moral industrial protestante. A crítica moderna e pós-moderna foi abatendo passo-a-passo pela agressão e desconstrução estas configurações de poder que imediatamente foram substituídas por outras bem piores, porque difusas e subliminares. Já é tarde para a moralidade higienista de padrão moderno motivar a crítica. Incluem-se aqui, obviamente os discursos sobre género ou pós-colonialismo. Sem cuidar à falsa inocência de uma indústria cultural, lacaia do actual sistema, restam-nos observar agora formas de alguma dignidade no corpo dos réus e estes de que falo foram já julgados e abatidos pela história dos vencedores. Na imagem mostro uma pintura do pintor académico sueco Julius Kronberg a partir de uma fotografia do folclorista e professor Hazelius.